terça-feira, 10 de julho de 2012

NIETZSCHIANAS VI - O PODRE E SEUS VERMES (MANUEL S. BULCÃO NETO)

“Por trás dos teus pensamentos e sentimentos, meu irmão, há um senhor mais poderoso, um guia desconhecido. Chama-se Eu sou”. (Nietzsche; Zaratustra – Dos que desprezam o corpo)
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VI
O Podre e Seus vermes

Eu Sou o que Sou.

Êxodo  3; 14

Se Sou-o-que-Sou não passa
de um Nada metido a besta

E o Logos (Verbum Dei)
Só verborreica jactância…

Nós, que por sorte nascemos,
Brindemos a Sua Arrogância!


Manuel S. Bulcão Neto

sábado, 7 de julho de 2012

(DES)CONEXÕES: POESIA, ARTE, CIÊNCIA E MATEMÁTICA (ROBERTO TAKATA)

Um crochê hiperbólico de Dainia Taimina.
Foto: Stitchlily



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(Des)conexões: Poesia, arte, ciência e matemática

  Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

Luís de Camões
Os Lusíadas, Canto I


O Institute for Figuring, também conhecido como fig. ou pela sigla inglesa IFF, é uma organização sediada em Los Angeles, Ca., EUA, que tem como objetivo divulgar e desenvolver a expressão de conceitos matemáticos e científicos por meio da poesia e de elementos estéticos através de palestras, publicações e exposições.

Conheci por acaso, buscando informações sobre os crochês hiperbólicos de Daina Taimina (fig. 1). Ela desenvolveu-os em 1997 quando dava aula de matemática na Universidade de Cornell a fim de ilustrar de modo concreto as propriedades de um espaço não-euclidiano hiperbólico - de difícil representação tridimensional. (E a obra de Taimina conheci através do livro: Alex no país dos números: uma viagem ao mundo maravilhoso da matemática, de Alex Bellos, 2009, Cia. das Letras, 490.)

Buscava mais informações não apenas por curiosidade pessoal, mas também para ajudar um amigo meu, Manuel Bulcão, que mantém (entre outras atividades) um blogue que versa exatamente sobre a relação entre ciência e arte: A Arte do Conceito.

Arte e ciência foi também tema abordado no encontro promovido pela revista Trip entre o neurocientista Miguel Nicolelis e o coordenador do Projeto Axé, Cesare La Rocca - ambos homenageados pela publicação no Prêmio Transformadores 2011.

Ciência e arte encontram-se também no termo grego τέχνη 'techné': significando tanto arte quanto ciência aplicada. Raiz de técnica e tecnologia.

E, claro, nas ilustrações científicas. Pra quem gosta, vale a pena visitar o blogue Symbiartic de Kalliopi Monoyios.

Sem falar em fotografias, design, engenharia, infografias, paleografia, neurobiologia da arte, ou, mais recentemente, arte genômica*. Impossível esgotar os detalhes de todas as imbricações em uma única postagem - ou mesmo em uma série.

*Upideite (17/set/2011): A lista é quase interminável, mas eu não poderia deixar de mencionar outra área de encontro: dança interpretativa de teses de doutoramento.

Roberto Mitsuo Takata
16/09/2011.

Obs.: Texto extraído do blogue GeneRepórter.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

VERSO INÚTIL (MANUEL S. BULCÃO NETO)

"Inútil! A gente somos inútil!... Inú! Inú! Inú!..."

(trecho da canção lírica 'Inútil', da banda Ultraje A Rigor)
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Verso inútil

Ao Raymundo Netto

Verso inútil,
Mas não gratuito,
Desnecessário
Como o lixo;

Bem ao contrário,
Inútil e raro
E precioso
Como o luxo.


Manuel S. Bulcão Neto

domingo, 24 de junho de 2012

NIETZSCHIANAS (MANUEL SOARES BULCÃO NETO)


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Cena do filme O sétimo selo
de Ingmar Bergman

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Nietzschianas

Ao Alves de Aquino


I
Filhos do infinito


Espanta-me saber
Que um em infinito
Era minha chance de nascer.

Desse absoluto acaso
O encanto supera a dor
Da necessidade de morrer.

Existo, fato acabado,
E por mais me pese o fado,
Ao nada prefiro o ser.



II
 Fracasso


Fracassar
Não é perder a sorte,
Ver o Sonho destruído;

Fracassar
É, no instante da morte,
Desejar não ter nascido.



III
 Metáfora


Prefiro

A angústia dos homens
À felicidade dos poodles;

As dores do amor
Aos analgésicos do tédio.

E quando a vida deprime
Por não ser boa nem bela…

Ainda resta o Sublime.


IV
Estranho atrator (*)


Legiões de excêntricos
Vagueiam
No limite entre a ordem
E o caos.

Alguns se mantêm
Na fronteira
— Lá ficam fisgando
    Estrelas —

E muitos transpassam
O umbral.
  


V
 Circulus virtuosus deus


Os estoicos vencem a morte
Com a própria morte.

Elias Canetti

Vivi bem,
Ardentemente.
Feliz, fui muito!
Hoje, sou menos.

Por quê? — Cansaço,
No peito um sopro,
Essa tristeza
De “pai de morto”…

Hoje, bem cedo,
Saí da cama.
Em vez de febre,
Sentia força.

Tomei café
Com pão e nata.
Faltei ao médico
E disse: — Basta!

Repetiria, ó!
— Ad aeternum —
Todos os gestos
Que fiz na vida,

Cada momento,
Com regozijo;
Mesmo este último:
Cruento e fatídico.

Fui senhor
Da própria vida,
Agora o sou
Da minha morte.

— Será assim
Que partem os fortes?





Manuel S. Bulcão Neto

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(*) “Eu vos digo: é preciso ter ainda caos dentro de si para poder dar à luz uma estrela dançante. Eu vos digo: há ainda caos dentro de vós.” (NIETZSCHE, F. Assim falou Zaratustra – um livro para todos e para ninguém. Trad. Mário da Silva. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil S.A., 1994, p. 34).

sexta-feira, 15 de junho de 2012

POEMA METAFÍSICO DE MANUEL SOARES BULCÃO NETO

O pensador

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POR QUÊ?
— POEMA METAFÍSICO —

Manuel Soares Bulcão Neto


Penso, por que existo?
Gratuito não é viver?
Se o fim é sumir no infinito,
Então para que nascer?

Sendo o ponto de partida
O mesmo de chegada,
Digam-me pra que é isso:
Uma circular estrada?

Toda esta cacofonia,
Tanto ruído sem sentido…
Não seria o cabal silêncio
Algo mais significativo?

No céu, eões de estrelas
Brilham por que razão
Se tudo será, um dia,
Radiação tênue e fria
Num jazigo de escuridão?

E se a natureza inteira
Descamba para o nadir
Por que ela então se deu
Ao trabalho de existir?

Por que assim é o mundo,
Redundante e complicado?
Em vez de zero rotundo,
Xis menos xis ao quadrado?

A vida é sem Destino.
Mas para que razão de ser
Se beleza, amor e vinho
São motivos pra não morrer?
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